terça-feira, 30 de outubro de 2012

Muitas mulheres consideradas modernas estão optando por não trabalhar e ficar em casa cuidando da família. Isto, ao teoricamente representar um retrocesso nas revoluções feministas está gerando preconceitos e estigmas. Segue um trecho da matéria extraída do UOL:



Estigma e preconceito

A impressão de Milene encontra eco em uma parcela da sociedade –composta em boa parte por feministas– que enxerga nesse tipo de arranjo familiar uma espécie de retrocesso na evolução feminina. E em um momento da humanidade em que as mulheres, pelo menos boa parte das ocidentais, é livre, até mesmo para ocupar o cargo de presidente de um país. Para a psicóloga Cecília Russo Troiano, autora do livro "Vida de Equilibrista – Dores e Delícias da Mãe que Trabalha" (Ed. Évora), existe um enorme preconceito em relação às novas donas de casa.

"Há uma espécie de patrulha social que considera a mãe em tempo integral ou a mulher que trabalha no lar uma alienada. Infelizmente, as pessoas ainda têm a visão estigmatizada e antiga da rainha do lar dos anos 60", afirma. Um dos principais enganos é achar que uma dona de casa, hoje em dia, precisa esperar o marido retornar do trabalho para saber o que se passa no mundo. A internet é o antídoto básico contra a desinformação. Fora isso, há inúmeras possibilidades de se informar, como TV, cursos, grupos de estudo etc.
 
  • Leandro Moraes/UOL
    "Desde que a Melina nasceu eu soube que queria acompanhar os primeiros anos de vida dela e ser mãe em tempo integral", diz Luciana
O fato de a mulher não investir na carreira e usar o salário do marido não a coloca como submissa a ele, segundo Cecília. "Ela se põe ao lado parceiro, pois esse arranjo foi combinado entre os dois. Ela fez uma escolha porque teve opções à disposição. Antigamente, não havia esse direito. O que as pessoas precisam entender de uma vez por todas é que se a mulher pode fazer o que quiser atualmente, isso inclui investir no modelo de vida que lhe parece o melhor", fala.
 
Para a pesquisadora e economista Tânia Fontenele, doutora em Psicologia Social e do Trabalho pela UnB (Universidade de Brasília), de forma alguma as novas donas de casa podem ser consideradas um símbolo do retrocesso. "Pelo contrário. Elas são representantes da conquista plena dos direitos femininos. Até a Camille Paglia, uma das feministas mais radicais da história, já escreveu artigos dizendo que a escolha de ter uma vida doméstica não deve desqualificar uma mulher", afirma.
 
A psicóloga Cecília Troiano afirma, também, que o maior preconceito vem justamente por parte de outras mulheres e que existe um paradoxo: aquelas que se dividem entre os filhos e a carreira também são alvo de preconceitos e críticas, algumas muita duras. "Eu mesma, quando preparava o livro 'Vida de Equilibrista', fui questionada. Disseram que eu não tinha condições de escrever um livro sobre a relação entre mãe e filho, já que eu não passava muito tempo com o meu", conta.


Este tipo de comportamento das mulheres preconceituosas é uma hipocrisia para quem lutou anos e anos por direitos iguais. A mulher deve sim trabalhar e ganhar o seu próprio salário mas, se ela resolver ficar em casa cuidando da família, qual é o problema? Não vejo retrocesso nisso, vejo como uma escolha individual que cada uma tem e deve ser respeitada. Quem tanto procura por igualdade não deve apontar o dedo e criar um desconforto. A mulher evoluiu muito sim no contexto cultural, econômico e político, mas não há retrocesso maior que o preconceito.

Tempestade Sandy e o aquecimento global


O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, qualificou as consequências da passagem da tempestade Sandy como “catastróficas” e associou o episódio com o fenômeno do aquecimento global. A tempestade já matou 38 pessoas nos EUA e 67 no Caribe.
“Não acho que palavras como catastrófico ou histórico sejam fortes demais para explicar o impacto [da tempestade], afirmou o governante durante entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (30). “Quem pensa que isso não reflete uma mudança dramática nos padrões climáticos está negando a realidade”, disse Cuomo.
[...]
Inacreditável como só agora os norte-americanos parecem por a mão na consciência. É lógico que estes desastres naturais, absurdamente fortes, tem relação com o aquecimento global, só os EUA que ainda não perceberam.
Isto se relaciona diretamente com a matéria de Governança Global, onde pode ser definida como a soma de todas as maneiras pelas quais todos os indivíduos e instituições, públicas ou particulares, administram seus interesses. A sobrevivência do nosso planeta com certeza é um interesse em comum porém nem todos querem colaborar.
Já passou da hora dos norte-americanos revisarem seu modelo de crescimento e de uma vez por todas resolverem realmente cooperar.
ps. A tempestade Sandy passou antes pelo Caribe matando cerca de 40 pessoas e só agora que atingiu os Estados Unidos que virou comoção internacional.

O Novo, o moço e a renovação

O Novo, o moço e a renovação

Por Carlos Melo*
Fernando Haddad venceu; Lula é mesmo um forte. Derrotado fosse, o ex-presidente amargaria hoje seu maior fracasso: associada ao Mensalão, a derrota seria interpretada como seu fim. Justos, então, os créditos: Lula acreditou, ousou, correu riscos. Mas, isto não facilita para novo prefeito: Haddad terá que provar que também é um forte. Se ampla estrada se abriu, longo será o caminho. E sua missão será percorre-lo escrevendo uma nova história.
Ninguém sabe os desdobramentos do mensalão: o quanto pode transbordar para outros atores, incendiar novos rancores. Trata-se de um capítulo que deixou feridas e demarca um tipo de política que precisa ser superada. Não apenas retoricamente, como nas campanhas eleitorais, mas na prática, nos métodos e valores. Não se restringe isto ao PT e nem à Ação 470. O Julgamento, de algum modo, tratou de hábitos e costumes do sistema político.
É justo que o PT sinta-se hoje com alma lavada. Foi realmente seu maior suplício: a coincidência do julgamento com a eleição mexeu com muitos demônios. Mas, será um erro não exorcizá-los. Saber ganhar é mais importante que saber perder. Para Haddad será importante compreender que a vitória não absolve condenados, nem apaga a história. Mas, pode, no entanto, mais rapidamente virar a página. Permitir que se escreva com novas tintas, num novo alfabeto.
Separando as coisas, o eleitor deu chance e lição: no seu cálculo, as políticas públicas, o novo rosto e a perspectiva de novos métodos atuaram mais decisivamente do que o ressentimento. Foi uma escolha pela superação.
A oposição continuará criticando os mais pobres por defenderem seus legítimos interesses antes de se preocupar com o bolor de um sistema político que, entendem, não os representa? Seria improdutivo, mais uma vez. Precisa, então, compreender o recado: não se perdoou o Mensalão; mas não se aceitou o farisaísmo, como se o sistema político fosse bom e ruins fossem apenas esses mensaleiros. E os outros? A Justiça ainda dirá.
Melhor será compreender e discutir a política em outro nível. O estilo “nós não temos nada contra o Suplicy, só não queremos o PT mandando aqui” (Maluf, 1992), ressuscitado por Serra, é velho e cansou. Não tem a mesma força de um tempo em que o PT ainda não fora suficientemente testado, um PT sem políticas públicas a mostrar.
José Serra tinha muito a dizer, mas apostar nisso foi seu maior erro. E não foi um erro novo. Em 2006, Alckmin já o cometera e, em 2010, Serra também. A política é feita para superar impasses, olhar para o futuro, trazer o progresso. Não para enfiar o dedo nas feridas dos estropiados. Condenados pagam por seus crimes; a Justiça decide. Não se tripudia suas desgraças, nem se sapateia sobre seus caixões. Crueldade dá pouco voto.
Assim, como Dilma, em 2010, Haddad foi um estreante de desempenho excepcional, nas ruas, na TV, nos debates. Quem torcia para que o calouro se encolhesse diante do veterano, se decepcionou. Sabendo o tamanho do desgaste do PT, o candidato não se intimidou: foi em frente, insistiu teimosamente na necessidade de virar páginas; não “respondeu na mesma moeda”, não aloprou. Empunhou um programa de governo, apontou críticas impessoais. Trouxe inovações, a começar pelo Bilhete Único Mensal, um inegável aggiornamento da cidade com o mundo.
Candidato, Haddad surfou a onda do “novo”. Prefeito, não poderá fazê-lo servindo-se apenas do novo na idade, o moço. Dele se espera o novo de verdade, na reformulação de quadros e costumes. O novo, de fato. Voz ativa num PT que precisa de depuração; na política nacional que exige novos ares. Que não seja outro Collor, outro Pitta, pois comparado será. Que componha sem arrogância, mas não se deixe conduzir pelo atraso. Que conduza renovações múltiplas: na urbe, na política, nos valores. Não será fácil. Mas, “Non Ducor Duco” é o lema da Cidade que o escolheu.
* Carlos Melo, cientista político. Professor do Insper


Eu que não sou PSDBista e muito menos Petista fiquei um pouco incomodada com os comentários acerca das eleições de São Paulo. 
Muita gente desejando que o futuro prefeito eleito esbarre em suas próprias promessas e erre feio na prefeitura, só pra depois poder falar "Eu avisei" ao invés de torcer para que de tudo certo e todo mundo fique feliz. Mas e o prazer de brasileiro de mostrar que estava certo, que seu partido é o melhor e que ele AVISOU? 
Outra coisa que eu notei foi a nova classe média criticando o PT e chamando seus eleitores de POVÃO. Povão virou sinônimo de pobreza, ignorância e todo mundo está louco de vontade de não ser considerado povão acreditando pertencer assim automaticamente a ELITE brasileira. 
Ninguém quer ser pobre, ninguém quer MOSTRAR ignorância mas porque julgar uma parcela do POVO que só está indo atrás de mostrar nas urnas que ainda acreditam em mudanças? Que acreditam que tal partido vai auxiliar sua condição de vida? Creio eu que eles só estão fazendo valer seu direito de cidadão (direito muito controverso inclusive).
Eu acredito que o Haddad possa trazer mudanças pra São Paulo sim, E eu torço pra isso. Quem o critica  está no seu direito, logico, mas deveria no fundo torcer por uma cidade melhor.